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A história da Isa e da Sopro Festivo


Em miúda brincava com bonecas convicta de que um dia ia montar um infantário e ser educadora de infância. Não consegui seguir este sonho na faculdade, o que me fez demorar mais a descobrir o que queria. Acabei por entrar em comunicação empresarial e iniciar a minha vida profissional ao mesmo tempo que a faculdade.


Fiz erasmus em Bruxelas e foi quando regressei que tive, em poucos meses, duas experiências de trabalho que iriam marcar os 10 anos seguintes da minha vida. Na época não faltavam ofertas para trabalhos de “promotora” que, para ser sincera, não tinha muita ideia do que se tratava. Os valores eram sempre atrativos, os horários fáceis de conciliar com os estudos, o trabalho em si permitia conhecer indústrias sem fim e um dia nunca era igual ao outro. Entretanto, o meu estágio curricular começou num departamento de comunicação e foi o meu primeiro verdadeiro contacto com o mundo empresarial e a vida de escritório. Como todos os estagiários, tirei cafés e muitas fotocópias, mas tive também a oportunidade de compreender as estruturas organizacionais das empresas e os comportamentos e motivações de cada funcionário na execução das suas funções, o que me deu certezas da minha vocação: formar pessoas, entrevistá-las e recrutá-las, o que me levou ao mestrado em gestão de recursos humanos e comportamento organizacional.



Sempre tive que trabalhar para pagar os estudos e muitas vezes pensei que não conseguiria. O mestrado que queria custava 5000€, o que faz parecer com que esteja fora do alcance por muito que se trabalhe. Trabalhei na Zara, na Redbull, fiz trabalhos de promoção sem fim. Trabalhei para a Toshiba quando mal sabia o que compunha um computador. Acumulei durante anos trabalhos e mais trabalhos, part-time em cima de part-time, tudo quanto me era física e mentalmente possível aguentar. Quando finalmente havia alguma folga de dinheiro para pagar a licenciatura e o mestrado, por vezes faltava tempo para os fazer. Mas, querer é poder e consegui terminar todos os estudos sempre com notas elevadas. Trabalhar durante os estudos foi abrindo portas e horizontes que provavelmente não se teriam aberto de outra forma.


Uma vez terminados todos os estudos sabia o que queria, estava certa. Só não sabia o caminho para lá chegar. Entrando em empresas de recrutamento dificilmente abraçaria todo o desafio que queria. Não sabia se os meus part-times algum dia me garantiriam liberdade financeira para poder abrir algo meu. Foi quando surgiram as sábias palavras do meu super pai. Num dia igual a qualquer outro em que chego cansada dos meus múltiplos trabalhos, o meu pai debruça-se sobre a minha cómoda e diz: “já se passaram 4 meses desde que acabaste o teu mestrado... É para continuares a trabalhar para os outros? E a todas as minhas dúvidas respondeu: “Não te preocupes, eu ajudo. Já ando cá há mais tempo”. Tinha a oportunidade de aliar os meus conhecimentos académicos e experimentais à experiência e suporte do meu pai. Não podia dizer que não.


Decidi lançar a minha empresa na área de eventos, comunicação e gestão de recursos humanos. Passei semanas para escolher o nome, recolher toda a papelada necessária, perceber realmente quais eram as minhas obrigações. O processo de abertura da empresa demorou apenas um dia, mas a preparação foi longa. Nascia a Sopro Festivo. Nas noites que se sucederam à abertura não dormi. Ia para a cama a perspetivar como começar no mercado. Não tinha medo de me atirar aos lobos mas estávamos em crise (às vezes parece que estamos sempre) e tinha 24 anos acabados de fazer. Lembro-me de chorar de medos com a minha mãe, se tinha feito a opção certa, afinal ganhava tão bem com os temporários e agora tentava concorrer com eles.


Fui, a medo mas fui. Bati numa série infinita de portas, que nunca se abriram, ouvi muitos: “que idade tem?”, “Mas a empresa é só sua?” Respondia: minha e do meu pai, “ah logo vi”! Decidi ir atrás do grande mercado, atirei-me para Lisboa, ganhei clientes e fiz a empresa crescer um pouco. Lisboa abriu-me portas mas atirou-me a inúmeros gastos, tinha passado a mexer nas minhas poupanças. Quando os clientes não pagavam e eu não conseguia dormir, com a responsabilidade e os pagamentos por fazer, o desespero batia. Passei a ter mais trabalhos para aguentar a empresa, trabalhos full time e part-time acumulados. Voltei a uma loucura de horários maior do que a que tinha tido durante os estudos. Cada vez faltava mais tempo para dedicar à empresa, mas se a empresa não estava a dar, o que mais podia fazer? Aos quatro anos de empresa e depois de muita luta e muito cansaço, começou a vontade de desistir.


Cheguei a casa, num dia igual aos outros, e comentei com os meus pais a frustração que sentia, a sensação de não conseguir chegar lá, de não me sentir capaz. Tudo parecia fugir-me das mãos. A voz da experiência fala sempre mais alto e tenho a sorte de ter sempre os meus pais como consultores. Acabei por perceber que o facto de não ter um espaço próprio e de não ter 100% do meu tempo dedicado à empresa estavam a prejudicar-me. Tinha que largar os trabalhos temporários, largar qualquer segurança e investir na empresa. Precisava de perder para ganhar. Sem desistir, desistir não era para mim.


Assim foi. Novamente com medo, fui à procura de um escritório. Os preços eram intimidantes, o que fez surgir a ideia do cowork - o melhor amigo dos novos empresários. Conheci o Colective que se tornou o “meu” espaço e uma excelente oportunidade para trocas de contatos. Passei a ir sem medos aos clientes, a marcar reuniões no escritório com o nome da empresa estampado. Acredito que ter o meu espaço me deu uma enorme confiança mas também passou uma confiança diferente aos clientes. Quase que instantaneamente o número de reuniões aumentou. Chegou um bom cliente, depois desse, outro bom cliente. Clientes que já me viam com outra idade, maturidade, experiência e como alguém que nunca, nunca desistiu.



Passaram 8 anos e 10 meses desde que comecei este sonho. Hoje somos 4 pessoas, temos o nosso próprio escritório e empregamos em anos normais, como os dois anos pré-covid, 3000 temporários. Trabalhamos para farmacêuticas, shoppings, associações médicas, empresas do ramo tecnológico. Trabalhamos com a indústria automóvel, vinícola e agrícola. Temos solidez, notoriedade e concorremos com as grandes empresas de Lisboa, mas em Coimbra. Mantemos sempre a transparência e a concorrência saudável, o que acredito que só traz vantagens para todos.

Este ano não tem facilitado mas com 2021 à vista já estamos a preparar eventos, ativações de marca e outros regressos fortes para os nossos clientes. Nunca desistir trás sempre os seus frutos, até nos tempos mais difíceis. A Sopro Festivo é sem dúvida prova disso.


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