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A história da Luísa


O mundo sempre me causou uma enorme curiosidade. Sempre tive o desejo latente de sair e explorar. Mas também sabia que era sortuda. Nasci e cresci no Rio de Janeiro, Brasil, e aos 20 e poucos anos tinha uma carreira conceituada na minha área - o jornalismo.

Trabalhei em empresas gigantes e tinha uma vida confortável ao custo de muito trabalho.

Estava feliz, mas queria mais. O frio na barriga que jornalista sente já não era o mesmo.

E aquela vontade de explorar voltava constantemente.


Achei que precisava me reciclar e, com apoio do meu marido, resolvemos que era hora de mudar. Decidi que ia estudar Marketing por um ano na Austrália. E em meses pedi demissão, vendemos a casa e começamos nossa jornada.


Me apaixonei pela Austrália, pelo estilo de vida - mas não tanto pelo Marketing. Aprendi que a vida podia ser mais leve. Mas ao mesmo tempo a decisão de permanecer em outro país significava ficar longe da família e amigos. Aquele seu círculo de apoio que construí durante minha vida nao estava la. E isso pesa quando você está morando fora.


Vindo de uma cultura latina, onde somos mais informais e abertos para novas amizades, a burocracia e o desafio para fazer conhecer novas pessoas marcar um encontro era desanimador. Todos são educados e legais, mas muitas vezes sentia falta do calor humano e da espontaneidade.


Outro desafio era conseguir coordenar minhas responsabilidades no meu país, para poder viver tranquila em outro. Por ser filha de uma pessoa com uma doença rara e não ter irmãos, a vida me trouxe certos desafios em uma idade muito jovem. A decisão de permanecer em outro país me fazia me sentir culpada - mas sabia que a minha felicidade era o que minha família mais queria. Eu e meu marido decidimos que iríamos atrás de qualidade de vida mas não conseguiria fazer isso sem ter a certeza que minha família estava assistida. Tive que criar uma rede de apoio e organizar um esquema - quase uma estratégia diária - para gerir tudo de longe. Os pequenos perrengues diários se tornam gigantes quando você está fora, mas a cada dia você aprende lidar melhor com situações e entendendo melhor como chegar à resolução.


A culpa ainda existe diariamente, mas o apoio familiar e as realizações pessoais me permitiram ter determinação para continuar com o meu sonho.


Pedi demissão da minha empresa no Brasil (ainda estava com a licença não remunerada que eles tinham me oferecido) -e comecei a pesquisar formas de aproveitar esta parte do mundo. Na Austrália não conseguia trabalhar com jornalismo, o que me fez perceber, curiosamente, que a paixão pelo jornalismo ainda estava lá.


Me inscrevi para mestrado de jornalismo na Nova Zelândia. Eu confesso que não queria ir para Nova Zelândia porque amo a Austrália e nao queria outra mudança, mas meu marido me incentivou. Só que para ser aceita, não era facil. Além do processo burocrático de visto - que todos sabem que é estressante - tinha que passar com uma nota alta no exame de inglês, iElts, e mostrar para os coordenadores do curso que eu merecia uma das vagas.

Sabia que não era uma missão fácil graças a muitos relatos “encorajadores” de muitas pessoas. Passei semanas estudando para o exame, juntando toda papelada e tentando traduzir toda minha carreira em um portfólio. A pressão crescia, o sono sumia e a falta de confiança sondava.

A ajuda de amigos nesse momento foi fundamental para me fazer seguir em frente.

Depois de tanto perrengue, a bonança. Ganhei uma bolsa de estudos e vendemos novamente tudo para embarcamos para essa nova aventura.


Estava feliz pela conquista, mas ao mesmo tempo algo dentro de mim me consumia.

Tinha medo. Medo de me arrepender. Medo de deixar a vida que gostava na Austrália. Medo de tudo.


Isso pesou .. . No primeiro dia, quando estava andando pela primeira vez pela cidade que seria minha casa, chorei. A ansiedade era tão grande que não permitia curtir o momento.

Eu sabia que era uma boa profissional no meu país, mas porque estava tentando fazer jornalismo na minha segunda língua? Será que ia conseguir acompanhar o curso? As pessoas iriam me tratar diferente por ser a única estrangeira?


Todos esses medos foram embora gradativamente . . . Fui me apaixonando pelos Kiwis, que abriram suas vidas e amizades para gente. Costumo dizer que fui “abraçada” pelos meus amigos, que fazem de tudo para me fazer sentir como um deles.

Claro, que a falta da família e amigos no Brasil é diária, mas o carinho que recebo aqui me deixa certa da minha decisão.


Quando acabei meu curso, recebi uma proposta de trabalho em um dos jornais mais conceituados do país. stou trabalhando há quase um ano e o emprego me oferece o que amo fazer de uma forma muito mais respeitosa e tranquila.

Ainda é surreal escrever na minha segunda língua, mas aprendo todo dia algo novo.


Quando olho para trás, lembro da insegurança que tinha em largar tudo e me arrepender.

Quatro anos, dois países e quatro cidades depois, nunca estive tão orgulhosa do meu trabalho, do meu relacionamento com meu marido e das nossas escolhas.


Luisa, 31 anos, carioca na Nova Zelândia

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