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A história do Pedro, do trade marketing à Lanchonete


O meu nome é Pedro Bento, tenho 30 anos e nasci e cresci em Lisboa, onde fiz uma licenciatura em Gestão e aos 21 anos comecei a trabalhar num programa de Trainees da Sumol + Compal, empresa em que me mantive por 4 anos e onde passei pelas áreas de vendas, marketing e trade marketing. Foi durante este tempo que tirei o mestrado em Gestão e Estratégia Industrial, em horário pós laboral. Com 25 anos, fui trabalhar para a SCC- Sociedade Central de Cervejas, empresa onde permaneci também perto de 4 anos, sempre na área de trade marketing e vendas, e onde cheguei a gerir uma pequena equipa.


Sou filho de uma mãe lisboeta e de um pai beirão cuja história começou no Brasil, 7 anos antes de eu nascer. Durante toda a minha infância e adolescência convivi de perto com os negócios do meu pai. José Bento, nascido na Beira Alta, emigrou para o Brasil com apenas 12 anos e desde aí que começou a trabalhar na área da restauração, mais especificamente em Padarias e Lanchonetes na cidade de São Paulo. Aí permaneceu durante 25 anos, até conhecer a minha mãe, Paula, e decidirem regressar a Portugal logo após o nascimento da minha irmã, Eliana. Regressados a Portugal, e com todo o knowhow adquirido, o meu pai decidiu investir na mesma área e criou o Raio Laser, Pastelaria e Lanchonete Lda, em Belém, onde se manteve até aos dias de hoje, 34 anos depois. E foi também no Raio Laser que eu cresci, brinquei, trabalhei e ganhei o gosto pela área da restauração. Desde os meus 8 anos que ia trabalhar com o meu pai nas férias escolares e foi com o meu “trabalho” que ganhei o meu primeiro telemóvel (aquele Nokia 3310 a preto e branco). À medida que fui crescendo fui sempre acompanhando todas as fases boas e más que o negócio teve, mative sempre a curiosidade e gostava de ver as contas no final do mês com o meu pai, que fazia muito gosto de as ver comigo.


Com 28 anos continuava na SCC e estava muito bem “cotado” na empresa, com boas avaliações e perspectivas de crescimento e evolução. Toda uma rampa de lançamento preparada “para mim”. Tinha boas condições salariais, ou pelo menos acima da média para a minha idade, tinha direito a carro, telemóvel, computador, seguro de saúde… enfim, tudo o que se poderia desejar em termos de segurança financeira. Naturalmente, a minha posição na empresa foi fruto de todo o trabalho que desenvolvi, das horas a fio que passava a trabalhar, e do brio que colocava em tudo o que fazia. Foi com o meu crescimento na organização que comecei a perceber que, por mais promoções ou prémios que ganhasse, por mais horas ou trabalhos que realizasse, por mais opiniões ou diretrizes que tivesse que seguir, iria sempre ser “mais um”. Só mais um colaborador a trabalhar para outro alguém. Sempre gostei de fazer a diferença e sempre me motivei e senti realizado com “coisas” feitas e implementadas, mais do que propriamente com cargos ou condições. Estava a chegar a um ponto em que quanto mais trabalho tinha, quanto mais diretrizes tinha que seguir com as quais nem sempre concordava, mais pensava: “se eu investisse todo o tempo que passo aqui a trabalhar, a fazê-lo para mim, para o meu negócio, não teria sucesso?”


Em Novembro de 2018 cheguei ao meu limite. “Vai ser hoje que me vou despedir. Vai ser hoje que vou começar a pensar nos meus projetos, a recuperar a minha liberdade e a minha motivação” pensei. E foi nesse dia que, antes de falar com os RH e com o meu chefe, liguei aos meus pais e disse: “Vou despedir-me e quero assumir o negócio de família convosco”. A notícia foi recebida com medo e entusiasmo. Medo por sair de uma “carreira tão promissora” para pegar num café, por estar a desperdiçar os meus estudos num negócio pequeno. E entusiasmo, pela novidade, pela vontade de aplicar os conhecimentos que tinha adquirido ao longo dos anos no negócio de família, conhecimentos de anos de visitas a tantos negócios, países e culturas. Entusiasmo por estar a acontecer aquilo com que qualquer pai sonha: que os filhos assumam o seu negócio. A notícia correu depressa, na empresa e pelos meus amigos. Alguns acharam doidice, outros apelidaram de crise de “meia idade”! Mas a maior parte, aqueles que continuam comigo hoje, só disseram: “Se é isso que te faz feliz, segue em frente! Tens a coragem que muitos de nós gostaríamos de ter!”.


Em Janeiro de 2019, mais precisamente no dia 7, abria o novo e renovado “Raio Laser”, com o nome de “A Lanchonete”. Um conceito de comida de afeto com sotaque brasileiro, em homenagem à história dos meus pais e a todo o carinho que tenho por esse país, onde tenho imensa família, que amo e que visito (ou recebo) frequentemente. Um conceito com ofertas diferenciadas do que aquilo a que o português está habituado quando se fala de gastronomia brasileira. Todas as mudanças foram cautelosas. Queria manter os clientes habituais do Raio Laser, e conquistar outros clientes que procuravam algo novo, respeitando sempre o trabalho que os meus pais tinham feito ao longo dos anos. A experiência deles foi crucial em todas as decisões. Nem tudo foram flores, como em qualquer mudança. Há sempre um igual número de certezas e de dúvidas, é preciso arriscar. Há ganhos e perdas, mas acima de tudo, há sempre algo que se aprende.Todo este processo deu-me um gozo enorme. É tão bom inventar e aplicar, falhar ou ter sucesso, o importante é não deixar de fazer. Antigamente, o segredo era a alma do negócio, hoje acredito que a inovação e a novidade são a alma do negócio. E cada coisa nova, pormenor ou acontecimento num negócio próprio são acompanhados de um sentimento de realização e de cunho pessoal enorme. Uma realização que pode nem sempre encher os bolsos, principalmente numa primeira fase, mas enche o coração e a alma.


Trocar o certo pelo incerto e a estabilidade pela instabilidade podia ter dado que pensar quando se entra tão de repente numa pandemia global. Mas a verdade é que, voltando atrás, faria exatamente o mesmo. São períodos mais difíceis, mais calculistas, mais estratégicos mas o meu cunho e a realização continuam cá. E não há nada que pague isso. O meu dia a dia mudou imenso, e com ele os meus fins de semanas e férias, a minha convivência com os amigos e família. Mas tudo se adapta, e tudo o que é para ficar perto de nós, fica. Olho para estes dois anos com muito orgulho pelo que tenho e temos desenvolvido no negócio, e também por tudo o que esta fase da vida me está a ensinar e fazer crescer.


Se me é permitido dar conselhos a alguém que tenha este sonho de ter um negócio próprio, eu diria: 1) rodeia-te de pessoas boas e que te ajudem nos momentos mais difíceis (nos momentos de sucesso todos ajudam). Serão o teu alicerce para o futuro e vão fazer-te sentir ainda mais realizado. Vão desejar o teu sucesso tanto como tu e proteger-te de muito; 2) segue o teu coração e põe toda a força naquilo que queres fazer. Um negócio próprio implica mais risco, mais instabilidade, mas também mais diversão. personalidade, brio pessoal e responsabilidade. Só uma entrega de corpo e alma se consegue distinguir. 3) festeja e celebra as pequenas vitórias, por mais insignificantes que sejam. É teu. É do teu negócio. É da tua cabeça, e braços, e pernas, e tudo. Cada vitória celebrada, é mais uma injeção de motivação para continuar a atingir mais e mais vitórias. E se vier uma derrota, vais ter muitas vitórias celebradas que te farão lembrar do caminho que estás a seguir. E que é tão bonito e tão próprio, que te vai alimentar sempre!


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